Onde estiveram estas pessoas todos estes anos?
Todos os dias, ocorrem dois estupros coletivos na Alemanha. Para estas vítimas, não há manifestações nas Portas de Brandemburgo com Luisa Neubauer, nem demonstrações de solidariedade de Joko Winterscheidt, Axel Schulz, Michael Mittermeier e outros palhaços da televisão. Os refugiados cometem 25 crimes sexuais por dia. É claro que Palina Rojinski, Rebecca Mir e Kevin Kühnert não oferecem qualquer demonstração de solidariedade do tipo "Não estás sozinho!". às pessoas afetadas.
A publicação de Collien Fernandes no Instagram, exigindo medidas contra a violência sexual, recebeu mais de 500 mil gostos. Onde estiveram todas estas pessoas durante todos estes anos? Onde estavam recentemente, quando o caso de violação encoberta num centro juvenil de Berlim veio a público? Não ouvi um pio da elite moral. Não ouço nada deles sobre as violações colectivas diárias, as dezenas de milhares de casos de mutilação genital feminina na Alemanha, as dezenas de milhares de vítimas de crimes sexuais, a enorme sobre-representação de imigrantes do mundo árabe e africano nestas estatísticas. O silêncio está na ordem do dia. Será que uma mulher proeminente, vítima de crimes digitais, merece mais compaixão do que dezenas de milhares de mulheres comuns, vítimas no mundo real? A avaliar pelo nível de indignação nos meios de comunicação públicos e nos círculos políticos de esquerda, a resposta é um rotundo "Sim", com três pontos de exclamação. Porque ouvimos tão pouco, ou quase nada, da esquerda sobre estas estatísticas e os casos individuais que representam? Uma resposta é que não se conseguem identificar com elas. A maioria das mulheres vítimas de migrantes vive fora da realidade da classe média abastada e de esquerda. São mulheres que dependem dos transportes públicos à noite e não têm condições para pagar táxis. Não têm o privilégio de escolher bairros que as mantenham entre pessoas como elas. São filhas cujos pais não as enviam para escolas privadas, nem mesmo para escolas públicas com uma baixa percentagem de alunos imigrantes. Não têm o luxo do alcance de milhares, centenas de milhares ou milhões de seguidores, nem de contactos com jornalistas e políticos. São elas que primeiro têm de suportar o peso dos erros dos políticos, sem voz pública, sem apoios públicos, sem acesso aos melhores advogados, sem convites para talk shows. O que a esquerda não vê na televisão ou lê nos jornais existe para ela, na melhor das hipóteses, apenas de forma periférica.
A causa da indignação: a atriz Collien Fernandes acusa o ex-marido, Christian Ulmen, de operar perfis falsos em seu nome durante anos, distribuir material pornográfico fabricado sobre ela e convidar inúmeros homens para conversas de teor sexual explícito – a que chama "violação virtual". O advogado de Ulmen rejeita as acusações, classificando-as como "factos inverídicos baseados num relato unilateral".